da virtude

February 7, 2008

Testamento

Filed under: poesia, galeria

alentejo2

 

O homem estava sentado numas pedras, olhando a planura amarelada de trigo;

Um trigo  já crescido, pronto para ser amado.

O homem exalava paz, uma doçura cheirosa vinda do ar limpo mas crispado da solidão,

estava só mas não sozinho, sonolento mas de sentidos desperto.

 

Era aqui, pensava eu, que gostaria de voltar um dia um dia p’ra morrer:

Sem culpa, sem mágoa, sem dôr:

Apenas com a telúrea força de quem venceu a vida até no acto de a deixar.

E se o homem estivesse por perto, melhor seria: com ele partilharia de bom grado o último olhar.

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